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A LMT Consultores em História e Património concluiu recentemente um aprofundado estudo sobre o emblemático Palacete do Chafariz d'El-Rei, em Lisboa, bem como de um outro edifício quase adjacente, situado na rua de São João da Praça, numa colaboração com a Taylor's, proprietária dos imóveis, e com a Broadway Malyan, responsável pelo respectivo projecto de reabilitação e reconversão.

A existência de construções sobranceiras ao Chafariz d'El-Rei encontra-se documentada pelo menos desde a segunda metade do século XV, tendo os sucessivos edifícios que ali existiram sido ocupados por uma classe social progressivamente mais elevada que haveria de culminar com a configuração do espaço como palácio dos marqueses de Angeja, que o habitaram durante algumas gerações nos séculos XVII e XVIII.

Nesse período assistiu-se, aliás, ao facto dos dois imóveis estudados terem formado um único conjunto urbano pertencente aos referidos titulares, dando-se a particularidade de ambos constituírem dois corpos que se ligavam entre si por um ou vários passadiços, dando origem à designação de beco coberto atribuída àquela que é hoje a travessa do Chafariz d'El-Rei (solução idêntica à do antigo palácio Vila Flor, ali vizinho, onde ainda hoje são visíveis três dessas estruturas de ligação).

O terramoto de 1755 provocou danos irreparáveis em toda a zona e nos dois edifícios em particular, os quais nas décadas seguintes não foram objecto de recuperação significativa, transformando-se em pardieiros e pequenas habitações que acolheram os mais variados inquilinos e as mais diversas actividades.

O edifício da rua de São João da Praça terá sido objecto de uma intervenção de recuperação em meados do século XIX, o que lhe permitiu manter características construtivas pré-existentes, vindo porém depois disso a degradar-se sucessivamente ao ponto de se apresentar hoje como uma ruína, já sem os dois andares e as águas-furtadas que teve no passado.

Quanto ao imóvel sobre o Chafariz d'El-Rei, depois de algumas benfeitorias também introduzidas à roda de 1850-1860, que lhe atenuaram a ruína em que ficara pós-terramoto, foi objecto, entre 1907-1911, de uma reconstrução que o alterou significativamente, conferindo-lhe o gosto invulgar e ecléctico que actualmente conserva.

Destinado a instruir o competente processo de licenciamento, o relatório elaborado pela consultora em História e Património compreendeu também uma minuciosa descrição arquitectónica do conjunto, bem como a identificação dos principais valores patrimoniais e artísticos que o mesmo encerra.

O Palacete do Chafariz d'El-Rei está classificado como Monumento de Interesse Municipal e referenciado na Carta Municipal do Património Edificado e Paisagístico de Lisboa, encontrando-se também abrangido, juntamente com o imóvel adjacente, pela Zona Geral de Protecção do Castelo de São Jorge e restos das cercas de Lisboa (classificados como Monumento Nacional) e pela Zona Especial de Protecção do Chafariz d'El-Rei, incluindo as estruturas hidráulicas conexas (classificados como Monumento de Interesse Público).

A operação de reabilitação e reconversão do Palacete do Chafariz d'El-Rei e do edifício adjacente contribuirá para a renovação urbana daquela área da cidade de Lisboa e para a respectiva dinamização económica e turística.

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Fotografias: o palacete do Chafariz d'El-Rei em finais do século XIX e no princípio do século XX.

 

APEL Benard 29 Fev 2020

 

Decorreu no passado dia 29 de Fevereiro, na sede da Academia Portuguesa de Ex-Libris, em Lisboa, uma conferência sobre a história da Pastelaria Benard, proferida por João Bernardo Galvão Teles, sócio da LMT Consultores em História e Património.

Baseada no livro recentemente publicado pela consultora e da autoria do conferencista, intitulado Benard. Um século e meio a adoçar Lisboa, a intervenção percorreu os cerca de cento e cinquenta anos de história daquela afamada pastelaria lisboeta. A sessão foi antecedida de uma mostra de ex-libris de temática gastronómica e finalizou com um vivo debate onde foram esclarecidas dúvidas e aprofundadas mais algumas questões suscitadas pela numerosa assistência.

João Bernardo Galvão Teles ofereceu à Academia Portuguesa de Ex-Libris um exemplar do livro ornado com o seu próprio ex-libris.

Fotografia: Academia Portuguesa de Ex-Libris / Nuno de Albuquerque Gaspar.